Desenvolvimento Sexual do Adolescentes

ADOLESCENTE -  SEXUALIDADE - AFETIVIDADE

Alberto Scofano Mainieri, Phd

Médico pediatra e Hebiatra

Prof. Adj. Depto. De Pediatria e Puericultura

Faculdade de Medicina - UFRGS

 

Contextualização

Desde que o mundo é mundo, a sexualidade é parte essencial da vida do homem.

Tem ocupado lugar na mitologia, na filosofia, nas artes, em toda forma de representação e conhecimento humano, inclusive, mais recentemente nas Ciências

 

O que entendemos por sexualidade

Em psicanálise, os impulsos fisiológicos e psicológicos, cuja satisfação proporciona prazer, experimentados, consciente ou inconscientemente até pelos lactentes e pelas crianças.

Em psicologia, conjunto das diversas modalidades de satisfação sexual.

Freud introduz o conceito de libido separando a função sexual da estrita finalidade procriativa.

 

Na base da formação da sexualidade de um indivíduo está o afeto.

Sua expressão e formação estão diretamente ligadas ao desenvolvimento de sua capacidade de:

se amar

ser amado

E por fim, poder amar o outro.

 

O Início do processo

É durante a infância que aprendemos a

se amar

ser amado

E por fim, poder amar o outro.

Os pais, ao demonstrar de diversas formas como amam seus filhos, solidificam neles a clara sensação e percepção de que são amados. Esta demonstração de amor leva os filhos a acreditarem nos seus potencias e qualidades solidificando a percepção que são bons o suficiente para serem amados. Por conseqüência se sentirão capacitados para aceitar que outras pessoas também os amem e por fim que tem capacidade de amar os outros.

Os contatos de uma mãe com seu filho despertam nele as primeiras vivências de prazer. Essas experiências, que podem ser, por exemplo, de amor e carinho; de rejeição e agressividade, não são essencialmente biológicas, mas se constituem no acervo psíquico do indivíduo, são os embriões da vida mental no bebê. A sexualidade infantil se desenvolve desde o nascimento e segue se manifestando de forma diferente em cada momento da infância. É nessa história que o sujeito se forma e cresce constituindo características que se expressam em suas fantasias e práticas sexuais. Assim, do mesmo modo que a inteligência, a sexualidade é construída a partir das possibilidades individuais e de sua interação com o meio e a cultura.

 

Adolescência

Um longo e curto caminho da infância à vida adulta

Tudo ocorrendo concomitante e interativamente.

 

Fatores Envolvidos

Neurológicos

Físicos

Familiares                                 Para ler mais detalhes sobre estes fatores envolvidos

Culturais                                                                          clik aqui

Pessoais

Sociais

A mídia

 

 

Como evolui o processo de adolescer

Fase inicial

         Corresponde ao período em que o jovem passa a perceber que não só seu corpo mas seus pensamentos e sentimentos estão mudando. Passa a perceber que já não é a mesma criança de antes e começa a questionar o meio e a desejar uma autonomia maior do que a já adquirida. Dá-se conta de que pode e deseja ser adulto. Seu corpo demonstra as primeiras modificações típicas desta fase e aos poucos vai crescendo e adquirindo a forma de um adulto. É nesta fase que presenciará a quase totalidade das modificações físicas e deverá se acostumar e aceitar todas elas. Referindo-se aos aspectos ligados a independência percebe-se um menor interesse no convívio com os pais; intensa amizade com adolescentes do mesmo sexo; crescente necessidade de privacidade e uma postura de questionamentos visando testar a autoridade. Nos aspectos ligados definição da identidade observa-se um aumento das habilidades cognitivas; falta de controle dos impulsos; indefinição vocacional e que passam por uma época de turbulência em decorrência da necessidade de definições. No aspecto da imagem observa-se uma forte preocupação com as mudanças puberais que proporcionam dúvidas com relação a sua aparência.

 

Fase intermediária ou média

Nesta fase o corpo já atingiu características de adulto e nada mais resta senão aceitá-lo e fazê-lo ser aceito. Não há mais como voltar a ser criança e agora a tônica é realmente assumir o objetivo de ser adulto e ser aceito como tal. No aspecto da independência observa-se intensos conflitos com os pais pois agora é hora de demonstrar claramente que já não querem mais seguir ordens e sim determinar seus próprios passos; aumentam a experimentação sexual visando mais a sua satisfação do que um equilíbrio entre o seu prazer e o do(a) companheiro(a); período de grandes inter relaçôes com grupos de iguais pois eles fornecerão o apoio necessário para esta nova etapa no qual não se deve solicitar o apoio da família. No aspecto da  identidade observa-se que agem de forma similar ao grupo; demonstram um sentimento de invulnerabilidade com conduta onipotente geradora de riscos. Quanto a imagem demonstram preocupação com a aparência com claro desejo de possuir corpo mais atrativo e tem um fascínio pela moda  vigente.

 

Fase final

    A adolescência vai chegando ao seu final visto que seu corpo já é de adulto e já o aceita como ele é e percebe que é aceito pelo meio. Seus pais e a sociedade já o tratam como adulto aceitando suas opiniões e decisões. Sexualmente já estabeleceu sua postura e sente-se mais seguro neste campo. Busca relações afetivas mais estáveis onde a satisfação de ambos é importante. É um momento de maior tranqüilidade e de pensar no futuro que agora lhe aguarda. Dentro deste prisma os aspectos ligados a sua independência serão expressos por uma reaproximação dos pais e de seus valores; preferência pelas relações íntimas onde o grupo de iguais torna-se menos importante. Os aspectos da identidade serão expressos pelo desenvolvimento de um sistema de valores e busca de uma definição profissional demonstrando firmeza em sua identidade pessoal e social capaz de se impor. No campo da imagem demonstram aceitação de sua imagem corporal.

 

                              Para ler mais detalhes sobre as três fases

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Vivências

A vivência da sexualidade na adolescência é como um caminho desconhecido. É necessário que o jovem seja orientado e tenha liberdade para entender estas vivências, pois o desenvolvimento da sexualidade contribui para a formação da personalidade e para a expressão desta sexualidade quando for adulto.

Experiências frustrantes podem reprimir novas investidas ou levar a posturas negativas frente à sexualidade.

 

Os padrões de comportamento sexual são normas de comportamento determinado social e culturalmente por influências particulares (leis, crenças, ensinamento).

A vivência da sexualidade na adolescência é como um caminho desconhecido. É necessário que o jovem seja orientado e tenha liberdade para entender estas vivências pois o desenvolvimento da sexualidade contribui para a formação da personalidade e para a expressão desta sexualidade quando for adulto. Experiências frustrantes podem reprimir novas investidas ou levar a posturas negativas frente à sexualidade. A opção da iniciação sexual após casamento não é comum nos nossos dias e esta conduta pode indicar uma dificuldade de conviver com experiências sexuais, consideradas como problemas em decorrência das vivências anteriores. Outra atitude é o ato sexual sem relacionamento afetivo, desvinculado do sentimento por atração física, comum na adolescência. A visão mais romântica da vivência e a necessidade de integrar sexo e afetividade parecem uma forma mais completa de vivenciar estas experiências.

As vivências da sexualidade têm suas origens na infância, no contato com os pais pessoas da família, brincadeiras, sensações de prazer, onde surge a curiosidade que impulsiona as primeiras descobertas sobre sexo, podendo gerar dúvidas e conflitos.

A dificuldade de esclarecer dúvidas pelos pais faz com que os colegas de escola sejam a primeira fonte de informação. Nesta fase surgem as fantasias sexuais. Disso decorre a masturbação que é muito reprimida pelos adultos e que pode ser  a primeira forma de restrição da sexualidade adulta.

A experiência psicológica individual e a formação do papel sexual (conduta social) são elementos necessários à formação da identidade. Do ponto de vista psíquico, o adolescente se identifica com o sexo determinado pela sua estrutura corporal. Aí ele utiliza as informações que recebeu junto aos seus recursos físicos, adaptando-se às diversas situações que se envolve. Para o desenvolvimento deste papel, ele precisa que outros também desempenhem os seus papéis. O contato favorece os vínculos afetivos e experiências. O namoro vai ser valorizado de acordo com experiências anteriores. Nesta etapa de valorização das trocas afetivas, muitos adolescentes podem apresentar dificuldades, principalmente de estabelecer vínculos fortes em decorrência de vivências anteriores.

A troca afetiva

Na adolescência, o desejo e o medo de se envolver provocam uma tempestade ambivalente. Ao mesmo tempo que se aproxima para o namoro surge a dificuldade em separar-se dos colegas. Nesta fase ambos os sexos experimentam o processo de sedução, quando pode haver a  “entrega” que corresponde à comunicação de conhecimento de si mesmo e do outro.

A escolha da pessoa

A identificação com outra pessoa determina o interesse pelo sexo que surge em decorrência de curiosidade, paixão e atração. Para escolher precisa se envolver. É nesse momento que as experiências anteriores atuam facilitando ou impedindo o envolvimento total ou parcial. Parcial, apenas com envolvimento sexual e total com o envolvimento afetivo.

O momento do ato sexual depende da escolha da pessoa com quem se envolver e na adolescência isto é vivenciado com muita expectativa.

A relação sexual na adolescência pode reorganizar suas experiências anteriores, embora seja um momento de muita insegurança para eles, principalmente quanto aos aspectos afetivos. O significado do ato será individual de acordo com suas expectativas, podendo causar grande estímulo e satisfação até frustração. A satisfação pode propiciar uma base para a continuidade da sua vivência e a frustração pode reprimir a vivência plena desta experiência nesta e em outras etapas da vida.

             Apesar de aparentemente não haver hoje em dia uma grande diferença de conduta entre ambos os sexos, os sentimentos e desejos costumam ter características distintas.

             Para os rapazes, os impulsos sexuais são, inicialmente, bastante separados da noção de amor. O desejo sexual é claramente localizado nos órgãos genitais; é urgente e costuma exigir rápido alívio. Embora um jovem, quando excitado, prefira uma companheira, ele pode achar natural satisfazer-se através da masturbação. As fantasias eróticas fixam-se em atributos físicos específicos como seios, pernas e genitais.

             Para as moças o amor tem prioridade sobre a genitalidade. Apesar de uma posição mais agressiva e atuante das meninas de hoje, poucas experimentam o desejo de forma semelhante aos rapazes. A maioria das adolescentes costuma ter excitações difusas e não diferenciadas de outros sentimentos. São fantasias de ligações românticas com entrega, impulsos maternais modificações súbitas no estado de humor, compaixão ou prazer especial ao serem penteadas ou ao terem as costas esfregadas. Nem sempre o orgasmo é o objetivo essencial. Normalmente nas meninas a excitação sexual específica deve ser despertada por estimulação direta do corpo, particularmente as zonas erógenas.